Estudo avalia impacto de ampliação do Porto de S. Sebastião - 22/05/2012

O estudo para determinar os impactos da ampliação do Porto de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, no turismo da região deve estar concluído em três meses, afirma o presidente da Companhia Docas de São Sebastião, Casemiro Tércio Carvalho. Com a conclusão do trabalho, o governo estadual vai apresentar propostas para mitigar os efeitos negativos das mudanças no porto. "Nosso objetivo é transformar São Sebastião em referência de porto verde para o Brasil e para o mundo", afirma Tércio Carvalho. Mas, as obras no porto, que deverá ter sua capacidade triplicada, preocupam prefeitos e moradores da região. Orçadas em R$ 2,5 bilhões, devem dar suporte à extração de petróleo do pré-sal. A população teme, entretanto, que afete a vocação turística dos municípios vizinhos pelo risco ao meio ambiente. Atualmente, o projeto aguarda a emissão de licença prévia pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Com mais capacidade, o porto também será uma alternativa para escoar mercadorias de regiões como o Vale do Paraíba. "O município de São Sebastião é turístico e portuário, não tem sentido uma coisa atrapalhar a outra", explica a vice-presidente da Federação Pró Costa Atlântica, que reúne associações de bairro do município, Regina Helena Ramos. Ela pondera, entretanto, que é preciso evitar a degradação ambiental. "Não existe hoje habitação nem para as pessoas que moram lá, tem uma população imensa em áreas de risco e preservação", aponta. Para que a cidade suporte a ampliação do terminal, Regina defende que sejam feitos investimentos em infraestrutura compatíveis com o novo tamanho do terminal, que deverá ficar totalmente concluído em 2035. "Se as coisas não forem benfeitas, se a infraestrutura não estiver à altura, São Sebastião acaba para o turismo, e não é isso que a gente quer." O prefeito de Ilhabela, Toninho Colucci, teme que o potencial turístico do município seja afetado. Já o prefeito de São Sebastião, Ernane Primazzi, entende que o problema central diz respeito à alça de acesso ao porto, que no trajeto proposto promoverá a remoção de 3 mil pessoas. Ele defende um projeto com túneis para evitar a retirada das famílias. "É possível fazer, está faltando vontade de meter a mão no bolso", diz. Tércio Carvalho sustenta que o problema afeta 400 famílias que vivem irregularmente na área. "Não é que vai desapropriar. Aquilo é área invadida. A gente vai reassentar 400 famílias em moradia digna", garante.


Todas as Notícias